O que você perdeu em: Suburgatory

16 fev

E daí que por gostar sempre de uma comédiazinha pra embalar o sono, eu acabo assistindo as piores coisas do universo. Foi numa dessas investidas que eu comecei a assistir Suburgatory. Mas eu devo dizer que a série me surpreendeu, porque tem seus méritos e, ao meu ver, passa a frente de muita coisa que anda circulando por aí. Na verdade, quando eu me dei conta, já estava curtindo além do esperado e agora fico ansioso por cada episódio.

O que você precisa saber é que Suburgatory conta a história de Tessa, uma adolescente 16 anos que mora em Nova Iorque, mas que se vê obrigada a mudar para Chatswin, uma cidadezinha do subúrbio americano, depois que seu pai, George Altman, fica desesperado por ter encontrado uma caixa de camisinhas em uma gaveta de seu quarto. A atitude do pai é fazer com que a mudança traga a ela uma vida mais tranquila, ou “menos mundana”.

Mas daí, como você já deve imaginar, a adaptação na nova realidade é um tanto chocante e enquanto a garota tenta arranjar um jeito de conseguir voltar pra metrópole, os episódios brincam com todos os clichés imagináveis sobre a vida no subúrbio – e até os urbanos em algumas atitudes dos novaiorquinos – de forma divertida e beeeeem debochada, mas que ao mesmo tempo passa uma imagem real na personalidade das personagens – que é onde a série me ganhou mesmo, porque chega a beirar um Community teenager, às vezes.

Saber lidar com a frenética circulação dos boatos, a intromissão latente na vida alheia, a obsessão por status e vaidade – o que torna tudo e a todos bem superficiais num primeiro momento ~ ou num segundo. ou num terceiro. ~ e a cobrança social inevitável, por ser um lugar onde todo mundo conhece todo mundo, são coisas que passam a fazer parte do novo cotidiano de pai e filha.

Todo esse esteriótipo nos personagens secundários e o sarcasmo, que fica por conta das falas de Tessa e George, fazem os episódios se desenvolverem de maneira leve, deixando a diversão por responsabilidade do comportamento e relacionamento das personagens, presentes nos diálogos, referências e situações e não tanto pelo desenvolvimento no roteiro. O que eu acho ótimo, apesar de não ter certeza de até quando isso vai funcionar, mas não espero twists cheiradíssimas, só quero entretenimento pra embalar minhas noites, o que a série faz muito bem.

E já que o grande destaque são os personagens, é necessário dizer que além de Tessa (Jane Levy) e George (Jeremy Sisto, famoso pelo papel de Billy em Six Feet Under), é impossível não simpatizar logo de cara com Dallas (Cheryl Hines) e Dalia (Carly Chaikin), a mãe e filha que fazem o estilo peruas-superficiais-do-subúrbio da família Royce, que tem mais interatividade com os Altman. É impossível não olhar para Dalia e não rir da cara de entojo, as observações fúteis e materialistas ou qualquer coisa que ela diga. Mesmo não tendo tanto destaque nos episódios, sua presença é riso garantido. E Dallas, que rouba a cena. Eu digo, qualquer cena! Seja por ter um cachorro com “nome de sua bebida probiótica favorita” (Yakult), seja pelos conselhos típicos de uma mãe perua ou por ser parte de um canon ship com George. Além disso, é impossível não dizer que elas são realmente mãe e filha.

Na vizinhança ainda há a família Shay: onde Sheila é a vizinha obsessiva e controladora; casada com Fred, marido submisso viciado em jogos; pai de Ryan, típico jovem acéfalo de academia, do time de futebol da escola (engraçadíssimo, mas com pouco destaque na série); irmão de Lisa, melhor amiga de Tessa, mas que deixa um pouco a desejar as vezes na condição de nerd antissocial, embora venha ganhando um certo carisma depois de alguns episódios.

Ainda tem Noah Werner, que é o melhor amigo da época da faculdade de George e dá uma força pra ele se adaptar na vizinhança; Malik, o aluno negro da escola que cuida do jornal e faz cosplay de Medium – com direito a uma peruca loira (!!!); o diretor da escola Mr. Wolf, que parece um cruzamento do reitor Pelton e o Señor Chang de Community – com muito menos BANG!, claro; e Scott o “casinho” de Tessa, obcecado com sua experiência recém vivida na África.

Até agora os episódios têm mostrado as adversidades enfrentadas por Tessa e George na rotina nova, sem grandes cliffhangers. Não vou contar muito para não estragar quem estiver começando, mas o que a série em breve deixará em suspenso é a confiança entre a relação de pai e filha, que mesmo no subúrbio terá de ser provada, o que provavelmente deverá deixar a relação dos dois ainda mais sólida. Ou não.

Como já comentei, no nonsense ou no deboche, Suburgatory explora mais a dinâmica entre as relações e comportamento dos personagens do que o desenvolvimento do roteiro. Então, se você busca um entretenimento fácil, pra relaxar, soltar umas risadas e curtir sem culpa, com certeza é uma ótima pedida!

all the neighborhood, say yeah-eah: noah, lisa, george, tessa, dalia e dallas.

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