Decapitando-se?

29 out

Com a qualidade técnica de sempre, este quinto episódio (“First Blood) foi basicamente transitório: nenhum acontecimento memorável, ainda que importantes para construção da trama e dos personagens. Inegável dizer, por exemplo, que exploraram bastante a história de Lumen, interpretada pela Julie Stiles. Interessantes os momentos que exploraram o quão intocada ela quer ser devido aos trauma passados, mas, convenhamos: quem acredita mesmo que ela sairá da série e da vida de Dexter assim, no quinto episódio da temporada? Com o peso de uma nova personagem feminina e, mais do que isso, com o peso da presença da atriz, achei meio difícil acreditar e, criar um suspense que vem se estendendo desde o fim do episódio anterior, apesar de obviamente natural, me irritou um pouco.

Que a série de mortes de personagens principais sejam facilmente superadas – no sentido de não dispensar mais de um episódio sofrendo a perda –, e me refiro aqui à reação da morte de alguém que a Debra gostava muito, ou como Laguerta lidou com o assassinato de um antigo companheiro, é fato. É uma característica essencial para a série, visto que são seres humanos lidando com morte o tempo todo; e é louvável perceber que a morte de personagens do elenco fixo cause tanta comoção em quem assiste. Se a gente não lida tão bem com a morte, como eles podem lidar? Digo isso porque eu ainda espero que a série trate, com o mesmo peso do primeiro episódio, a trágica morte do final da quarta temporada. Mas, pelo visto, a decisão dos produtores é a de trabalhar em cima de como Harrison ficou afetado com isso (e, em “First Blood”, os melhores momentos são Dexter-Harrison – e eu confesso que simpatizo muito com a babá Sonya e torço pra desenvolverem algo legal pra ela).

Além disso, vimos o quanto Dexter fica abalado (com a ajuda da sua ‘consciência’ traduzida no papel do pai) quando alguém descobre os seus segredos e, graças a todo o compadecimento com Lumen, vemos uma reação diferente daquela vista na terceira temporada, com o Miguel Prado. Com isso, ver Dexter confundindo quais são as regras de seu código se torna um conflito muito bacana de se assistir. Resta torcer para que a presença de Lumen (e de Julie Stiles) corram pelo mesmo caminho, porque as tentativas de fazer o relacionamento de Baptista com Laguerta causar um pouquinho só de empatia estão pífias – viram só, até o Quinn conseguiu ser mais interessante. Debra que se cuide – ou não, visto que seu jeito de conduzir o caso dos decapitados rendeu meu grande interesse neste episódio.

E, falando em cortar cabeças, este episódio lançou as bases para que, junto com o próximo, soubermos o que vai rolar na metade final da temporada. Vamos torcer para que ninguém esteja dando corda para – nós, que assistimos – se enforcar.

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