Zumbis, também um bom drama

24 out

Cá estou eu, com meu texto de estreia – justo, então, que eu fale sobre uma estreia, uma das season premieres mais esperadas do ano: The Walking Dead. Produzida pela AMC (canal que tem posse de alguns dos meus dramas favoritos, como Mad Men e Rubicon, além de ser o canal da premiada Breaking Bad) em parceria com o Fox, a série vazou pela internet e contaminou os olhos daqueles ansiosos por algo que, diga-se, nasceu hype por ser inovador em sua proposta – mais alguém consegue se lembrar de alguma série que trate de sobrevivência em um mundo dominado por zumbis? Nem eu.

Inspirada na série de quadrinhos homônima (que ainda não li) criada pelo norte-americano Robert Kirkman, The Walking Dead vem sendo aclamada pelos fãs de zumbis mesmo antes de sua estreia (fãs de séries: não comam meu cérebro, sei que vocês também aguardavam): o anúncio da produção causou animação, as primeiras fotos – fidelíssimas aos quadrinhos – produziram grunhidos de felicidade e, finalmente, a promo da série foi exibida na Comic Con deste ano. Há boatos de que quatro entre dez nerds tiveram problemas de polução durante a transmissão desta promo – estes conheciam os quadrinhos. Os outros quatro destes dez nerds acharam o maior barato poder assistir uma série bacana de terror com zumbis, vinda de um canal que ainda não errou nas suas produções. Um nerd pensava “isso não vai dar certo…” e o último, xiita, gritava enlouquecido: “FUCK THIS SHIT, I WANT GEORGE ROMERO!”. Ninguém foi preso. Ou mordido, sei lá.

Purismos à parte, tudo – a produção, a audiência, a adaptação – indicava que The Walking Dead não daria errado. E, a julgar pelo episódio de estreia, não deu mesmo. Encabeçando o elenco, o bonitão Andrew Lincoln vive o oficial Rick Grimes, delegado de uma cidadezinha separado de sua família por um apocalipse de zumbis. Rick foi baleado antes do dia Z, e acordou numa cama muito após o ocorrido. Os fios narrativos principais da série, pelo visto, correrão por ele – sua busca (e reencontro) por pessoas, amigos e família que não eram zumbis quando ele foi mandado para o hospital (e o o apocalipse vai ocorrer também quando Rick perceber que as pessoas não são mais as mesmas que ele achava conhecer). Neste primeiro episódio somos apresentados a dois núcleos; o da família destruída pela zumbificação de um de seus membros e o de sobreviventes unidos e aleatórios (nem tão aleatórios assim, vale dizer). Lembre-se de prestar atenção na atuação de Lennie James, que faz de sua presença tão grande que acaba roubando a cena de parte do episódio.

The Walking Dead parece apostar naquilo que as classificações de gênero chamariam de drama – mais do que em terror, o que é compreensível para o público e meio de comunicação destinados. Produção cara (não duvide: cidades vazias, montes de maquiagem para montes de figurantes, helicópteros e tanques de guerra não são baratos), este primeiro episódio não apenas é impecável (e quase caricato – não estranhe se o nosso personagem principal passar a maior parte de tempo ostentando seu chapéu e distintivo) nos quesitos de figurino e maquiagem – falhar aqui seria um pecadilho imperdoável –, mas também vai direto aos dramas mais sensíveis que não podem ser diretamente tratados em um filme de terror. É bem decidido, por exemplo, dedicar muitos minutos à dificuldade de um homem ao confrontar a pessoa que ama e precisar mata-la para poder superar o próprio passado, ou no quão compadecido um personagem pode ficar ao matar o seu primeiro zumbi. Em contrapartida, quem espera por sangue, correria e sensações de sufoco e expectativa, não vai se decepcionar – de verdade.

Obviamente, um episódio de apresentação – é de se esperar que seja, ao seu longo, um tanto morno em alguns pontos. Apesar de alguma ansiedade e da certeza de que um e outro personagem principal morra ao longo dos episódios que virão, a melhor surpresa de The Walking Dead é ser primeiro uma história de encontros e reencontros e, depois – imediatamente depois, é verdade – ser o que podemos chamar de jornada de sobrevivência (como a maioria das histórias do gênero zumbi). No entanto, a cultura pop-zumbi está lá, devidamente respeitada.

E, claro: a vantagem de The Walking Dead, ao longo dos episódios que virão, é a de poder ser multitema dentro do próprio tema proposto – ainda que isso possa causar problemas de adaptação, se pensarmos nos quadrinhos que renderam a série. Porém, insisto: com este nível de qualidade, poderemos ter uma temporada em que todo tipo de assunto-zumbi poderá ser trabalhado em sua totalidade – coisa que um filme apenas não conseguiria. Referências já utilizadas, de Romero a Resident Evil, de Kirkman a Todo Mundo Quase Morto, de Danny Boyle aos zumbificados do Haiti… Ah, as vantagens de uma boa história contada em série, seja de gibi ou de televisão! Poder até imaginar um episódio com zumbis dançando com Michael Jackson.

Opa, não sangrem. Em The Walking Dead isto seria desprezível, e eu estou mesmo brincando.

A série estreia oficialmente nos EUA dia 31/10. O restante do mundo assiste no dia 2/11, inclusive na Fox Brasil (que, lamentavelmente, dublará a série). O episódio 2, “Guts”,  vai ao ar, nos EUA, em 7/11.

2 Respostas to “Zumbis, também um bom drama”

  1. Giuliana 25 de outubro de 2010 às 11:21 #

    Excelente review Pelvis. Concordo bastante com o que você falou. Como fã e 85% nerds tive alguns orgasmos múltiplos com TWD. A expectativa era gigantesca e valeu a pena todo o demorado “foreplay”.

    Dentre seus comentários o que mais gostei foi o do Lennie James. O cara mandou muito bem mesmo. Reconheci ele por Hung, outro dramalhão um tanto cômico da HBO, mas ele conseguiu segurar firme um papel sempre requisitado nos filmes de zumbi: HA, não vou contar aqui.

    Para finalizar, excelente início, bons atores e esperança de que a série se sustente boa até o final da season.

    Beijocas

  2. Paula Cristina 26 de outubro de 2010 às 02:15 #

    ZUM ZUM ZUM BIS

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: